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segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Desafios para o Cristão - Filipenses 1:1


1:1 Paulo e Timóteo, servos de Cristo Jesus, a todos os santos em Cristo Jesus, inclusive bispos e diáconos que vivem em Filipos.

            Paulo escreve esta carta aos Cristãos de Filipos em meio ao aprisionamento em Roma, essa igreja que nasceu a beira de um rio e floresceu na casa de uma mulher chamada Lídia é uma igreja mui amada por Paulo, Está carta revela isso, que mesmo em meio as correntes que o aprisionam, Paulo lembra de cada irmão e irmã com muito carinho e zelo. O grande desafio de toda essa leitura é olhar para nossas lutas e não permitir, que as mesmas nos façam esquecer do Senhor e daqueles que nos amamos e que também nos amam. Não estamos sozinhos, Deus está conosco e outras pessoas também

sexta-feira, 30 de março de 2012

“A TRANSFORMAÇÃO”

Texto Base: Isaías 6. 1 – 8.

Introdução: O Rei Uzias reinou 27 anos (de 767 a 740 a.C.) Tendo sofrido de lepra conforme 2º Cr 26.16-21, morreu no ano de 740 a. C. Isaias viu o Filho de Deus. Era uma visão de Jesus na glória à qual voltaria depois de viver e morrer na terra.

A Transformação total torna o homem:

1- Privilegiado – “Eu vi o Senhor” v.1
“No ano em que o Rei Uzias morreu, eu vi o Senhor! Ele estava sentado em um trono alto e majestoso; todo o templo estava cheio da Sua Glória”.
a) Eu vi = Isaias descreve aqui uma “teofania”, uma manifestação visível de Deus.
b) O Senhor = No hebraico, Adonai, que significa “Soberano”.
c) Trono = O Senhor no Seu Trono, governa os Céus e a Terra.
d) O Templo = Em sua visão, Isaias não viu a templo de Jerusalém, mas o tem-plo Celestial. (Ap 4.1-8).

2- Convicto – “Ai de mim”v.5
“Então eu pensei em voz alta: Chegou a minha hora! Vou morrer porque sou um pecador. Cada vez que abro a boca eu peco, e isso acontece com todo o meu po-vo. E agora eu vi o Rei, o Senhor do Universo”.
a) Ai de mim = Tendo anunciado seis “ais!” no cap. 5, o profeta acrescenta um sétimo contra ele mesmo na qualidade de representante de uma nação deso-bediente. Isaias ficou espantado diante da glória de Deus; à semelhança de Pedro, ele ficou com medo. Isaias pronuncia uma maldição oracular contra si mesmo. (Oracular = Palavra, sentença ou decisão inspirada, infalível, ou que tem grande autoridade).

3- Consciente – “Sou homem de lábios impuros”v.5
“Então eu disse: Ai de mim! Estou perdido! Pois os meus lábios são impuros...”.
a) Lábios impuros: = Uma natureza impura que se expressa por enunciação (declaração) inapropriada.
Impuro: Objeto, lugar ou pessoa que, por estarem cerimonialmente sujos, não podiam ser usados ou tomar parte no culto de adoração à Deus. A impu-reza ritual podia ser resultado de: contato com sangue; com o corpo de um morto; como um alimento proibido.)


4- Purificado – “Através da brasa do Altar”v.7
“Ele tocou a minha boca com a brasa e disse: De agora em diante você é consi-derado ‘inocente’ porque esta brasa tocou os seus lábios. Os seus pecados fo-ram perdoados”.
a) Brasa..., boca = Isto é parte do simbolismo da visão. Isaias não foi tocado fisicamente. Vemos aqui um ser humano na presença do Deus Santo é con-denado. Mas o Deus misericordioso toma a iniciativa de oferecer expiação, porque Isaias estava contrito.
b) A minha boca...: = A purificação torna o profeta aceitável como ministro das palavras de Deus.


5- Perdoado – “Teu pecado foi perdoado”v.7
a) O caminho da reconciliação: Reconhecer seus pecados por causa da comu-nhão com Deus; por causa da santidade de Deus.
b) A purificação dos pecados: Providenciada por Deus e aplicada ai indivíduo.


6- Atencioso – “Ouvi a voz do Senhor” v.8
“Em seguida ouvi a voz do Senhor Deus Eterno dizer: ‘Quem é que Eu vou enviar? Quem será o nosso mensageiro? Quem Eu vou enviar ao meu povo? Quem irá?’ - E eu respondi: ’Eu irei, Senhor’. Mande-me!”
a) Ouvi a voz... = O Senhor convidou Isaias a ouvir o que foi tratado na reuni-ão da corte real dos céus. Daquele instante em diante, Isaias tornou-se um servo da corte de Deus e proclamador da mensagem de Deus a reis e ao po-vo em geral.
c) Quem Eu vou enviar? = O profeta agora iluminado, purificado e chamado está pronto para oferecer-se como voluntário para o difícil ministério profé-tico. Só depois de purificado é que Isaias foi designado profeta.
{Esse trecho nos faz lembrar a Grande Comissão de nosso Senhor ressurreto, que ordenou proclamar o Evangelho da Salvação a todo mundo. Se aquela ordem de sair apoderar-se do nosso coração, devemos responder da mesma maneira que Isaias: “Eis-me aqui, envia-me a mim. – Solícito e Obediente.}


7- CONCLUSÃO:
Esse trecho nos faz lembrar a Grande Comissão de nosso Senhor ressurreto, lá em Mateus 28.18-20 que ordenou proclamar o Evangelho da Salvação a todo mundo. Se aquela ordem de sair apoderar-se do nosso coração, devemos responder da mesma maneira que Isaias: “Eis-me aqui, envia-me a mim.
Devemos ser como foi Isaias: Solícito e Obediente.


Pr. Paulo Ludwig Batista
Nova Camboriú







terça-feira, 16 de novembro de 2010

Jesus a centralidade de tudo.


Jesus Cristo é tema central das Escrituras? Se olharmos com muito cuidado, veremos que em tipos, figuras, símbolos e profecias, Jesus ocupa o lugar central das Santas Escrituras. Vejamos:

Em Gênesis - Ele é o Descendente da mulher

Em Êxodo - Ele é o nosso Cordeiro Pascal

Em Levitico - Ele é o nosso Sacrifício pelo pecado

Em Números - Ele é aquele que foi Levantado para nossa Salvação

Em Deuteronômio - Ele é o verdadeiro Profeta

Em Josué - Ele é o Capitão da nossa salvação

Em Juizes - Ele é o nosso Juiz e Libertador

Em Rute - Ele é o nosso parente Resgatador

Em Samuel, Reis e Crônicas - Ele é o nosso Rei

Em Esdras e Neemias - Ele é o nosso Restaurador

Em Ester - Ele é o nosso Advogado

Em Jó - Ele é o nosso Redentor que vive

Em Salmos - Ele é o nosso Socorro e Alegria

Em Provérbios - Ele é a Sabedoria de Deus

Em Eclesiastes - Ele é o Alvo Verdadeiro

Em Cantares de Salomão - Ele é o Amado de nossas Almas

Em Isaias - Ele é o Messias Prometido

Em Jeremias e Lamentações - Ele é o Renovo da Justiça

Em Ezequiel - Ele é o Filho do Homem

Em Daniel - Ele é o Quarto Homem na Fornalha

Em Oséias - Ele é aquele que Orienta o Desviado

Em Joel - Ele é o Restaurador Divino

Em Amós - Ele é o Divino Lavrador

Em Obadias - Ele é o nosso Salvador

Em Jonas - Ele é a nossa Ressurreição e Vida

Em Miquéias - Ele é a Testemunha contra as nações rebeldes

Em Naum - Ele é a Fortaleza no Dia da Angustia

Em Habacuque - Ele é o Deus da nossa Salvação

Em Sofonias - Ele é o Senhor Zeloso

Em Ageu - Ele é o Desejado de todas as nações

Em Zacarias - Ele é o Renovo da Justiça

Em Malaquias - Ele é o Sol da Justiça

Em Mateus - Ele é a Promessa Viva

Em Marcos - Ele é o Servo de Deus

Em Lucas - Ele é o Filho do Homem

Em João - Ele é o Filho de Deus

Em Atos - Ele é o Senhor Redivino

Em Romanos - Ele é a nossa Justiça

Em I e II Corintios - Ele é o Senhor e a nossa Suficiência

Em Gálatas - Ele é o nosso Libertador do jugo da lei

Em Efésios - Ele é o nosso Tudo em Todos

Em Filipenses - Ele é a nossa Alegria

Em Colossenses - Ele é a nossa Vida

Em I e II Tessalonicenses - Ele é Senhor que irá Voltar

Em I e II Timoteo - Ele é o nosso Mestre e Exemplo

Em Tito - Ele é o nosso Modelo

Em Filemon - Ele é o nosso Senhor e Mestre

Em Hebreus - Ele é o nosso Intercessor junto ao trono de Deus

Em Tiago - Ele é o nosso Modelo da Verdade

Em I e II Pedro - Ele é a nossa Força e a Pedra Angular de nossa Fé

Em I,II e III João - Ele é a nossa Vida, a nossa Verdade e o nosso Caminho

Em Judas - Ele é o nosso Protetor

Em Apocalipse - Ele é o nosso Rei Triunfante.

Disse Jesus: "Examinai as Escrituras, Porque julgais ter nelas a vida Eterna,e são elas que testificam de Mim, contudo não quereis vir a mim para terdes vida. Eu não aceito glória dos homens". João 5:39 ao 41.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Diário de Spurgeon



6 de Maio de 1850 – Fui à reunião de oração. Reunião de missões nesta tarde, sobre a glória do reino de Cristo. “Convém que ele reine*” Salvador, Venha e amplie teu reino sobre todo o mundo, imponha Teu cetro sobre todos os corações! Faça de mim Teu templo, e honre-me fazendo-me um instrumento do bem em Tuas mãos! Senhor, salve-me do orgulho e da preguiça, meus dois maiores inimigos; guarde-me, ó, guarde e preserve-me! Sou uma ovelha pecadora. É em Teu poder que confio, na tua força eu dependo; Sou menos que nada, segure-me pela tua mão direita.
*Possível referência à 1Cor 15:25. Nota do tradutor.

Tradução: Rafael Ordanini
FONTE: Autobiografia de Spurgeon e projeto spurgeon

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

A eclesiologia de Lutero



Lutero sempre destacou a importância da Igreja. Inclusive seu objetivo não era dividir a Igreja Cristã mas sim reformá-la. Os acontecimento é que tornaram o cisma inevitável. "Ele se revoltou contra a igreja por causa da igreja". Ele usa termos para a Igreja como fortaleza, castelo, aposento e até mesmo a "digna donzela".[1]

Para Lutero a igreja era um comunidade e não o magistério da Igreja. Inclusive ele não gostava do termo alemão mais comum para igreja: kirche. Este termo significava Casa do Senhor, e trazia a idéia de que a igreja era um templo. Este termo alemão tem a mesma raiz da palavra inglesa church. Lutero preferia termos como gemeine (comunidade) e versammlung (assembléia).[2] A igreja é portanto a "comunhão dos santos" ou "sacerdócio evangélico".[3] Este ponto na teologia de Lutero é extremamente revolucionário. Bengt Hagglund faz o seguinte comentário sobre este pensamento de Lutero: "A forte ênfase de Lutero nesta comunhão espiritual, invisível, como formadora da igreja era algo novo"[4] . Lutero enfatiza que a “Igreja, porém, não é pedra nem madeira, mas é o conjunto de pessoas crentes em Cristo”. Segundo Lienhard, para Lutero, a Igreja, como um todo, é oculto, e não se pode identificá-la como uma instituição. A igreja também existe como instituição, porém, não é esta a sua existência primária.[5]

Lutero, portanto, enfatizou bastante a idéia da igreja invisível. Entretanto, ele também destaca a realidade da igreja local, com seu templo, regulamentos etc. Para Lutero era errado identificar a igreja com uma instituição humana, como fazia a Igreja de Roma, identificando a igreja com a liderança do papa e dos bispos. Em relação ao poder do papa, ele criticava a interpretação católica de Mt 16. Para ele a rocha na qual a igreja foi fundada não foi Pedro, mas sim a declaração de fé de Pedro. Lutero até admitia o papa, se ele fosse apenas um líder da igreja e não fizesse as reinvidicações que fazia, querendo ser o legítimo representante de Deus na terra. Lutero também não concordava com o pensamento dos anabatistas, que acreditavam ser possível ter uma igreja totalmente santa, excluindo todos que não tivessem uma vida digna.[6]

Sem dúvidas uma das maiores dificuldades da Reforma Protestante foi definir a organização da Igreja. A reforma tinha um espírito antiautoritário e antihierárquico que trazia dificuldades para se estabelecer uma liderança eficaz. Foi então que Lutero sugeriu que os príncipes de cada região assumissem as questões administrativas da igreja. Os príncipes tornaram-se "bispos de emergência". O objetivo era que os príncipes assumissem esta responsabilidade até que a questão da liderança da igreja fosse melhor resolvida. Entretanto com o passar do tempo a Igreja Luterana acabou ficando submissa ao estado, dando origem a Igreja Estatal Alemã.[7]

A seguir destacaremos as marcas principais da verdadeira Igreja segundo o pensamento de Lutero.

Prioridade do Evangelho
A Escritura estava a acima da Igreja e não vice-versa. O Catolicismo Medieval ensinava que foi a Igreja que nos deu o evangelho, por isso a Igreja está acima das Escrituras. Para Lutero foi o evangelho que constituiu a igreja e não o contrário. A interpretação das escrituras não pode ser uma atividade exclusiva do magistrado da igreja.[8] Este ponto da Eclesiologia de Lutero é extremamente significativa. O rompimento com o catolicismo só aconteceu a partir deste pensamento. A igreja é quem definia as doutrinas

Por ser baseada no Evangelho, o valor da igreja é oculto ao mundo. Somente os cristãos entendem o seu real valor. Por ter como fundamento o Evangelho, a igreja também é marcada por perseguições e infortúnios, não há como evitar. E por fim não há como separar agora quem são os verdadeiros cristãos, a igreja é um corpo misto. Não cabe a nós fazer esta separação, o próprio Jesus o fará.

O valor da igreja, assim como o de Cristo, está em sua humildade. E destaca Lutero que é justamente quando a igreja sofre mais perseguições é que fica mais nítida a sua glória. Para ele então, perseguição, sofrimento, humildade são características essenciais da verdadeira igreja. Ela deve seguir o exemplo do seu fundador, que também foi perseguido, sofreu e viveu o seu ministério de forma plenamente humilde.[9]

Palavra
Outra marca essencial da igreja é a pregação da palavra. Existe igreja onde a o evangelho é proclamado. Com Lutero a pregação do evangelho tornou-se o centro do culto cristão. O momento mais importante na assembléia cristã é a pregação da palavra.[10] Como dizia Lutero “Se a palavra de Deus não é pregada seria melhor que os homens não cantassem ou lessem ou se reunissem”[11]. No catolicismo medieval o momento mais importante era a Eucaristia, com todo seu significa místico e supersticioso.

Em relação também a palavra, Lutero destacou a importância do pregador. Criticou duramente os "tagarelas do púlpito" que tem medo de pregar a verdade. Para o verdadeiro pregador incomoda, pois como ele mesmo dizia “Deus nos proteja dos pegadores que agradam a todos e desfrutam de um bom testemunho de todos”. O bom pregador é aquele que se levanta, fala e sabe quando se calar. Ele é totalmente movido por Deus para anunciar o evangelho, não pode pregar de si mesmo, ou apenas anunciar o que o povo quer ouvir. Lutero também criticou os pregadores preguiçosos que não estudavam e que só se utilizavam de auxílios homiléticos para suas pregações, sem exercitar a sua própria criatividade.[12] A grande função do sacerdote é a pregação, como ele diz “O ofício do sacerdote é pregar, se não o faz, é tão sacerdote como é homem um homem pintado”.[13]

Para Lutero, o pastor precisa, essencialmente, ser reconhecido pela comunidade para exercer a sua função. Na verdade todos podeM ser pregadores, por isso “(...) o que é comum a todos ninguém pode se arrogar individualmente, até que seja chamado”. O pastor deve estar ciente de que sua real função é servir e não reinar, a sua tarefa consiste em ministrar a palavra e o serviço a comunidade, ele não é um mediador como o sacerdote católico.[14]

Sacramentos
O pensamento de Lutero sobre sacramentos é bem diferente do catolicismo medieval. Em sua obra "Do Cativeiro Babilônico da Igreja" (1520), ele desenvolve o tema. Em primeiro lugar ele limitou os sacramentos a apenas dois: Batismo e Ceia. No início chegou a manter a confissão também, mas logo abandonou este pensamento. Batismo e Ceia eram os únicos cerimoniais que possuíam uma palavra clara de instituição por Jesus e também possuíam uma promessa de Deus[15]. Para ele "sacramentos são uma palavra dirigida por Deus". Na verdade são sinais visíveis da graça de Deus. A Ceia e o Batismo revestem-se de importância pois: 1) ambos proclamam o perdão de Deus; 2) não são eficazes em si, mas na fé que se tem; 3) são extensões da palavra de Deus.[16] Ao fazer a ligação de Sacramento com a Palavra “Lutero destrói o lado mágico do pensamento sacramental”[17].

A princípio Lutero chegou a admitir a penitência como sacramento, mas depois abandonou esta posição. A verdadeira contrição é a fé, e não o confessar para um sacerdote. A confissão a um sacerdote não é bíblica, mas pode ser útil, desde que não seja considerada como um sacramento. Na verdade, ensinaria Lutero, a confissão dos pecados é uma volta ao batismo. Para Lutero não são os sacramentos o centro da Igreja, mas o evangelho. A Igreja Católica abusou do valor dos sacramentos, rodeando a vida dos cristãos com sacramentos que só a Igreja podia ministrar. A Igreja então é que transmite graça aos cristãos no pensamento católicos, e Lutero condena isso dizendo que a Igreja é testemunha da graça e não intermediária.[18]

Em relação ao batismo, ele destacava a importância da água e da palavra. A água batismal em si, de nada valia, mas ao ser acompanhada pela palavra ela ganha valor. Há em Lutero, portanto, uma grande importância para água no batismo, não era, para ele, apenas um elemento simbólico. O batismo expressa a participação do crente na morte e ressurreição de Cristo. O batismo não é simples mergulho na água, é o próprio Cristo que nos batiza. Ele complementa dizendo que “O batismo não justifica a ninguém, nem é útil a pessoa alguma, mas na fé na palavra da promessa, à qual se agrega o batismo, essa, sim, justifica e cumpre o que o batismo significa”. E mais, é preciso viver a realidade do batismo, da remissão dos pecados, a cada dia, num verdadeiro e constante arrependimento.[19]

Lutero manteve o batismo infantil. Ele defendia este pensamento fazendo comparações com a circuncisão no Antigo Testamento, que também atingia criança. E também dizia que tinha que haver uma base bíblica muito forte para abandonar uma prática tão tradicional da igreja cristã. Dizia que a não era a água que salvava, mas a palavra que estava na água.[20] Os anabatistas criticavam Lutero em relação ao batismo infantil. Lutero dizia que um sacramento só tem valor se for acompanhado de fé. Como poderia uma criança ter fé, perguntavam os reformadores radicais. Lutero dizia que a fé era dom de Deus, por isso uma criança também tinha fé na ocasião do batismo.[21] Até mesmo Hagglund, um erudito luterano, deixa transparecer uma certa incoerência do pensamento de Lutero sobre o batismo infantil: “Aceitou a resposta tradicional, que a fé dos padrinhos toma o lugar da fé da criança, mas em outras ocasiões expressou a opinião que também temos de pressupor a existência da fé na criança para efeito da palavra divina”[22]. Outro que aponta a incoerência da posição do Lutero sobre o batismo é o francês Lienhard, importante biógrafo de Lutero, que diz que a cada momento Lutero justifica o batismo infantil de uma fora, ora ele apela para a fé futura da criação, ora para ação misteriosa do Espírito, ora para a fé adormecida na criança e por fim na fé dos pais e padrinhos. Lienhard então lança a questão: não tinha ensinado Lutero que nada substitui a fé pessoal, e agora ele apela para substitutivos da fé para justificar o batismo infantil? Em outro momento Lutero tenta explicar esta contradição dizendo que na verdade o que vale é a promessa que se junta a fé que havia na criança, e as explicações continuam sem resolver a contradição.[23]

Os anabatistas, em especial Karsltadt e Munster, questionaram a prática do pedobatismo defendia por Lutero. A primeira objeção que lançavam é que tratava de manter uma prática papista, Lutero respondia que há coisas comuns entre os protestantes e Roma, e nem tudo deve ser rejeitado. Outra objeção lançada contra Lutero era o fato de que a criança batizada não se lembraria do evento quando fosse adulta, Lutero então apela para o testemunho dos pais e padrinhos. A questão da fé era outro forte argumento, como batizar alguém que ainda não tem a fé, perguntavam os anabatistas. Lutero respondia que não se pode ter certeza da fé de ninguém, por isso por que não batizar crianças? E por fim os anabatistas diziam que a criança não pode crer, e portanto não devem ser batizadas, Lutero dá a pitoresca resposta que as crianças podem crer, se não fosse assim como João Batista se alegrou no ventre de sua mãe? Completando sua visão sobre o batismo, podemos resumir em 6 os argumentos de Lutero para defendê-lo: 1) é prática apostólica (!); 2) uma heresia nunca foi mantida por tanto tempo na igreja, e se o batismo infantil fosse heresia já teria sido desmascarado; 3) Deus concede dons as crianças também; 4) Se o batismo infantil não fosse válido, teríamos que admitir que durante 1000 anos não houve igreja, pois a prática está bem sedimentada entre os cristãos; 5) Se foi o papado que introduziu, isto não é problema, pois o papado faz parte da cristandade (!); 6) Não devemos excluir as crianças da nova aliança. [24]

Para Lutero a ceia só era sacramento por estar acompanhada pela palavra, mesmo argumento para defender o valor do batismo. Cria que a ceia deveria ser celebrada todos os domingos no culto cristão. Em sua obra "Do Cativeiro Babilônico da Igreja" criticou três pontos da doutrina romana sobre a Ceia do Senhor: 1) a recusa de se oferecer o cálice para os leigos; 2) a transubstanciação; 3) a idéia de que na missa era repetido o sacrifício de Cristo. Este três pontos que representam o chamado Cativeiro Babilônico da Igreja.[25] A idéia de sacrifício na Ceia do Senhor, só pode existir no sentido de que há uma entrega do ser humano a Deus, e nunca a repetição do sacrifício único e eficaz de Cristo.[26] Para Lutero a idéia da missa como sacrifício trouxe abusos terríveis pois “fizeram do divino sacramento verdadeiros dias de feira livre, negócios de taverna e certos contratos lucrativos”. Lutero prega que é necessário voltarmos ao sentido original da Ceia, ou seja, nos lembrar da remissão dos pecados. É preciso unir o sinal (a celebração do sacramento) com a palavra pregada, e para Lutero a ênfase maior estava na palavra pregada.[27] Como vemos ele atacou pontos essenciais da doutrina católica da Eucaristia.

Já o pensamento de Lutero sobre a ceia do Senhor deve ser compreendido através do debate com Zwínglio e os anabatistas, debate que se estendeu entre 1524 e 1529. Em 1529 foi realizado o Colóquio de Marburgo, organizado pelo príncipe alemão Filipe de Hesse, e tinha como objetivo unificar os protestantes alemães e suiços. O único ponto ao qual não se chegou a um consenso e que impediu o sucesso do Colóquio foi justamente as discussões sobre a ceia do Senhor. Neste Colóquio discutiu-se os seguintes temas: Trindade, cristologia, pecado original, redenção, fé, palavra externa, batismo, boas obras, confissão, autoridade secular, tradição humana, pedobatismo e ceia[28]; e somente a questão da ceia não levou a um acordo, a ceia sinal da unidade do corpo de Cristo, foi transformada em motivo para dividir o movimento protestante.

Lutero defendia uma idéia sobre a Ceia do Senhor que ficou conhecida como consubstanciação. Ele rejeitou a transubstanciação romana, para ele a substância do pão e vinho permaneciam durante a celebração da ceia, porém o corpo e o sangue de Cristo juntavam-se aos elementos da ceia. Como dizia Lutero: "Assim como o Deus incompreensível e onipresente se aproxima do homem na humanidade de Jesus Cristo, também a humanidade incompreensível e onipresente de Cristo aproxima-se e poder ser captada pelo homem na Ceia do Senhor"[29]. Na verdade a consubstanciação não era uma novidade, já na Idade Média alguns escolásticos defendiam idéias parecidas.[30] Lienhard, biógrafo de Lutero, admite que “Malgrado certas reservas, Lutero permaneceu ligado a prática de uma adoração de Cristo na ceia (...)”[31], ou seja, ele manteve de certo modo a visão medieval sobre a ceia, com ligeira modificação.

Zwínglio e os anabatistas defendiam uma interpretação simbólica sobre a ceia do Senhor. Para o reformador suiço a expressão "Isto é meu corpo", devia ser entendida no sentido de "Isto significa meu corpo". Ele gostava muito citar Jo 6.63 que dizia que a carne e o sangue de nada valem, e também acrescentava que o pensamento de Lutero sobre a ceia estava trazendo ainda muito do pensamento católico. Lutero argumentava que o texto sobre a ceia deve ser interpretado literalmente, por mais irracional que parecesse ser comermos o corpo de Cristo. Lutero chegava a afirmar que "eu comeria esterco se Deus assim ordenasse".[32] Para o reformador suiço o importante era a fé nos dons celestiais, e não o pão e o vinho. Lutero, porém, insistia na importância da presença física de Jesus no pão e no vinho.[33] O holandês Hoen, em 1522 já contestava a idéia da transubstanciação e começa a defender a idéia da ceia como um memorial, Zwínglio no início aceitava a concepção de Lutero, mas após ler Hoen mudou de opinião e passou a defender a ceia como uma refeição memorial, alimentar-se de Cristo para Zwínglio não é comer do pão, mas crer no Evangelho.[34]

Por mais que pareça estranha para nós hoje, o debate sobre a ceia entre Lutero e Zwínglio possuía um pano de fundo cristológico. Zwínglio dizia que o corpo de Cristo fica apenas no céu, apenas a divindade de Cristo é onipresente, por isso o corpo de Cristo não podia estar no pão e no vinho. Já Lutero baseando-se na idéia da comunicação dos atributos (defendida na Igreja Antiga por Cirilo e Leão I), para dizer que o corpo de Cristo era também onipresente, por participar dos atributos divinos. Este pensamento cristológico é conhecido por doutrina da ubiquidade, que significa que "Cristo está presente em toda parte como Deus. E sua natureza humana também participa dessas qualidade". Para Hagglund, por de trás do pensamento de Zwínglio está um pensamento dualista filosófico que separa o espiritual do físico. Como bem diz o historiador sueco: "Lutero, desta maneira, rompeu com o dualismo filosófico entre espírito e matéria que se achava por detrás da concepção espiritualista"[35].

Seguindo Lienhard, podemos resumir as diferenças de Lutero e Zwínglio em relação a ceia da seguinte maneira: a) a orientação filosófica diferente, Lutero seguia Occam e dizia que a ação de Deus escapa a nossa compreensão e podemos então aceitar o corpo de Cristo no pão; já Zwínglio, como bom tomista de orientação platônica, gostava de pensar no corpo de Cristo apenas no céu e não aqui na terra; b) A hermenêutica dos dois reformadores é diferente, Lutero entendia literalmente "isto é o meu corpo", e Zwínglio não; c) A cristologia, como já observamos no parágrafo anterior, Lutero admitia a união das duas naturezas no pão e no vinho, já Zwínglio a distinção entre a natureza humana e divina; d) Para Lutero na ceia há a continuação da encarnação de Cristo, ela é um evento redentor; já para Zwínglio a ceia não perdoa pecados e na verdade relembra um evento único que foi a morte de Jesus; e) Para Lutero a finalidade da ceia é alimentar a fé; já para Zwínglio a finalidade da fé é fortalecer o laço comunitário da Igreja e também a fé em Deus, e não a fé nos elementos.[36]

Sacerdócio de todos crentes
Lutero defendia, como todos os reformadores, que todo crente tem livre acesso a Deus. Os seu pensamento sobre o sacerdócio universal dos crentes implicava em dois pontos principais: a) todos tem acesso a Deus; 2) o ministro não está acima dos demais membros da igreja.[37] Portanto não há nenhum clero especializado para nos levar a presença de Deus, e nem muito menos para interpretar a Bíblia.

Isto não significa que Lutero aboliu a função do ministro. O pastor é um ofício especial. Ele tem seu valor dentro da comunidade. Porém, numa emergência qualquer membro da igreja pode pregar, batizar, julgar doutrina, orar, etc. Lutero também não ensinou a idéia de crentes individualistas, cada um buscando a sua maneira a presença de Deus. Ele sempre enfatizou o valor da comunidade ao lado do sacerdócio universal dos crentes. Outro ponto importante sobre o Ministro é que ele deve ser escolhido para igreja, e não simplesmente ser imposto a Igreja. E mais, a ordenação não é indelével, ou seja, se ele não cumprir a sua missão pode ser tirado do cargo.[38] Em relação se a ordenação para o ministério pode ser perdida há certa ambiguidade no pensamento de Lutero, como bem observa Hagglund:

"Se fosse aplicada de modo coerente, implicaria que a ordem externa é apenas um chamado para prestar certa forma de serviço. Mas há evidência que mostram ter Lutero também considerado a ordenação como verdadeira consagração para um missão divina para a vida inteira"[39]

Linheard também vê uma certa ambigüidade na idéia luterana do sacerdócio universal de todos os crentes. Ele destaca que até 1525, realmente Lutero deu ênfase total a esta idéia. Ele sempre repetia que “Todos somos igualmente sacerdotes, isto é, temos o mesmo poder na palavra e qualquer sacramento”. Com o avanço do movimento reformador, e principalmente a partir da controvérsia de Lutero com os anabatistas, ele mudou o enfoque, e começou a dar mais importância ao papel do pastor em detrimento da idéia do sacerdócio universal.[40]

A crítica a Igreja Romana no "Manifesta a Nobreza Alemã"
A obra o "Manifesta a Nobreza Alemã" escrita em 1520 é uma das mais poderosas e violentas críticas de Lutero a Igreja Romana de seu tempo. É nesta obra que ele realmente traça a idéia de uma Reforma na Igreja. Ele apela aos nobres e a todos os cristãos que trabalhem para que esta reforma se concretize. Os três grandes temas da reforma aparecem nesta obra: a fé, o sacerdócio universal e o valor das escrituras.[41]

Lutero declara que o objetivo do seu livro é derrubar as muralhas que a Igreja Católica construiu. A primeira muralha é a afirmativa que o poder eclesiástico é superior ao poder do Estado, através desta afirmação a Igreja afirma que o Estado não a pode criticar. A segunda muralha é a afirmativa de que só Roma pode interpretar a Bíblia corretamente e que o papa não erra, assim a Bíblia não pode ser usada para criticar a Igreja. Lutero defende que qualquer cristão pode criticar a Igreja e defender a verdade. A terceira muralha é a afirmativa de que somente o papa pode convocar um concílio, assim nunca será realizado um concílio para criticar erros do papa. Lutero sugere que o Estado pode convocar um concílio para corrigir os erros da Igreja. No "Manifesta a Nobreza Alemã", Lutero também critica a vida dos sacerdote, que segundo ele deveriam voltar a simplicidade apostólica, e afirma que os cardeais são os grandes culpados da podridão da Igreja. Lutero chega a afirmar que "quanto mais próximo de Roma, piores cristãos", o grande problema estava justamente em Roma, e ela estava livre de ataques em razão das três muralhas que construiu.[42]

Lutero também critica vários cerimonias e instituições do culto católico. Usando textos como I Tm 3.2 e Tt 1.6 ele condena o celibato obrigatório, que segundo ele foi inventado pelo diabo. O reformador alemão também defende o fim do culto aos santos, da doutrina do purgatório e da prática das indulgências. O pedido de Reforma não se limitou a Igreja, e também pede mudanças nos costumes, na assistência social e também nas universidades. Pedia que não fosse mais Aristóteles a base da teologia, mas sim o estudo do latim, grego, hebraico e história. Pediu também o fim do direito canônico e pregou que o centro dos estudos deve ser a Bíblia e não mais as "Sentenças" de Lombardo.[43]

Luís Carlos Batista

[1] Ibid. p. 87
[2] Ibid. p. 88-89
[3] OLSON, Roger. História da Teologia Cristã. p. 401-402
[4] HAGGLUND, Bengt. op. cit. p. 207
[5] LIENHARD, Marc. Martim Lutero: Tempo, Vida e Mensagem. p. 146-47
[6] HAGGLUND, Bendt. História da Teologia. p. 208
[7] TILLICH, Paul. História do Pensamento Cristão. p. 249-51
[8] GEORGE., Thimothy. Teologia dos Reformadorse. P. 89
[9] TILLICH, Paul. op. cit. p. 248
[10] GEORGE, Thimothy. Teologia dos Reformadores. p. 91
[11] HAGGLUND, Bengt. História da Teologia. p. 202
[12] GEORGE. Thimothy. op. cit. p. 92-93
[13] LIENHARD, Marc. Martim Lutero: Tempo, Vida e Mensagem. p. 89
[14] Ibid. p. 149-50
[15] OLSON, Roger. História da Teologia Cristã. p. 402
[16] GEORGE, Thimothy. op. cit.p. 93-94
[17] TILLICH, Paul. História do Pensamento Cristão. p. 235-36
[18] LIENHARD, Marc. Martim Lutero: Tempo, Vida e Mensagem. p. 88-89
[19] Ibid. p. 87
[20] GEORGE, Thimothy. Teologia dos Reformadores. p. 95
[21] OLSON, Roger. História da Teologia Cristã. p. 403
[22] HAGGLUND, Bengt. História da Teologia. p. 204
[23] LIENHARD, Marc. op. cit. p. 88
[24] LIENHARD, Marc. Martim Lutero: Tempo, Vida e Mensagem. p. 189-92
[25] HAGGLUND, Bengt. História da Teologia. p. 205
[26] Ibid. p. 203
[27] LIENHARD, Marc. op. cit. p. 83-86
[28] Ibid. p. 189
[29] OLSON, Roger. História da Teologia Cristã. p. 405
[30] HAGGLUND, Bengt. História da Teologia. p. 205
[31] LIENHARD, Marc. Martim Lutero: Tempo, Vida e Mensagem. p. 184
[32] OLSON, Roger. op. cit. p. 405
[33] HAGGLUND, Bengt. op cit. p. 206
[34] LIENHARD, Marc. op. cit. p. 186
[35] HAGGLUND, Bendt. op. cit. p. 207
[36] LIENHARD, Marc. Martim Lutero: Tempo, Vida e Mensagem. p. 187-88
[37] OLSON, Roger. História da Teologia Cristã. p. 402
[38] GEORGE, Thimothy. Teologia dos Reformadores. p. 96-98
[39] HAGGLUND, Bengt. História da Teologia. p. 209
[40] LIENHARD, Marc. op. cit. p. 148
[41] LIENHARD, Marc. Martim Lutero: Tempo, Vida e Mensagem. p. 78-79
[42] Ibid. p. 79-81
[43] Ibid. p. 81-82

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Breve biografia de Spurgeon



Charles Haddon Spurgeon (1834-92) foi o mais conhecido pregador da Inglaterra pela maior parte da segunda metade do século dezenove. Spurgeon converteu-se em Colchester em 6 de janeiro de 1850, e foi batizado no Rio Lark em Isleham em 3 de maio de 1850. Pregou seu primeiro sermão na cidade de Cottage, neste mesmo ano. Alguns de seus parentes sugerem que Charles Spurgeon entrou em uma escola religiosa independente logo após sua conversão, mas por ter uma visão diferente da ensinada por esta escola, decidiu então se juntar a uma congregação anabatista em Cambridge. Em 1854, apenas quatro anos após sua conversão, Spurgeon, então com apenas vinte anos, se tornou pastor da famosa Igreja Batista de New Park Street em Londres (anteriormente pastoreada pelo grande teólogo John Gill). A congregação rapidamente cresceu mais do que seu prédio poderia comportar, mudando-se então para o Exeter Hall, e de lá para o Surrey Music Hall. Nestes locais Spurgeon freqüentemente pregou para audiências com mais de 10.000 pessoas - e tudo isto em dias anteriores ao advento da amplificação eletrônica. Em 1861 a congregação se mudou definitivamente para o recém construído Tabernáculo Metropolitano.

Os sermões do Pr. Spurgeon são amplamente distribuídos e foram traduzidos em muitas línguas, sendo especialmente populares nos Estados Unidos. O conjunto dos trabalhos impressos do Pr. Spurgeon é volumoso. Sendo que uma de suas obras mais conhecidas é o livro intitulado "O Tesouro de Davi". Praticamente todos os trabalhos impressos do Pr. Spurgeon estão disponíveis hoje, seja através de publicações ou na Internet. Estima-se que mais de 3.560 de seus sermões sejam ainda publicados na Inglaterra ou nos Estados Unidos.

Fonte: http://www.luz.eti.br/spurgeon.html

O desafio do terceiro mundo



Acordei com o pensamento voltado para missões hoje e uma questão me tomou por assalto. Como poderemos nós que somos considerados terceiro mundo, ou seja já carregamos o estigma de menores e menosprezáveis, levar o evangelho a países mais desenvolvidos economicamente e educacionalmente bem definidos?
Quando o evangelho chegou ao Brasil veio com ele uma carga econômica e cultural representada pelos missionários. Alguns teóricos insistem em dizer que “onde o poder político podia chegar seu poder religioso também ia com ele.” Nada é mais verdade que os americanos e europeus representavam não somente o seu governo, mas também o poder político de seu governo.

Mas os absurdos políticos e culturais também estão presentes na visão bíblica da questão. Isaias desenha bem isto na figura do servo sofredor e Paulo em suas viagens missionárias, mas o melhor de todos os exemplos está no próprio Deus que se fez homem, isso é visto como um absurdo, para nos salvar e perdoar de todos os nossos pecados quando o aceitamos como nosso Deus e senhor.

Não podemos ter uma visão empobrecida de missões, mas devemos buscar ter a visão de Deus para esta questão, para nós terceiro mundo talvez seja economicamente inviável pelo custo de vida no primeiro, ou seja politicamente incorreto não sei como definir isso com concepções antropomórficas, mas para Deus que escolhe os absurdos deste mundo para glorificá-lo estamos perdendo tempo não nos preparando melhor conhecendo a cultura a ser alcançada.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

A existência do mal - Jonathan Edwards




É algo apropriado e excelente que a infinita glória de Deus resplandeça; e pela mesma razão, é apropriado que o brilho da glória de Deus seja completo; isto é, que todas as partes de sua glória devam resplandecer, que cada beleza deva ser proporcionalmente fulgurante, a fim de que aquele que olha tenha uma noção adequada de Deus. Não é apropriado que uma glória deva ser excessivamente manifesta , e outra não ...

Assim, é necessário que a aterradora majestade de Deus, sua autoridade e terrível grandeza, justiça e santidade devam ser manifestas. Mas não poderia ser assim , a menos que o pecado e a condenação tivessem sido decretados; ou o fulgor da glória de Deus seria por demais imperfeito, tanto porque essas partes da glória divina não resplandeceriam tanto quanto as outras, e também porque a glória de sua bondade, amor, e santidade seria apática sem elas; não, elas ilustrariam de forma pobre seu fulgor.

Se não for certo que Deus deveria decretar e permitir e punir o pecado, não poderia haver nenhuma manifestação da santidade de Deus pelo ódio ao pecado; ou em, pela sua providência, preferir a piedade [em lugar do pecado]. Não haveria nenhuma manifestação da graça de Deus ou verdadeira bondade, se não houvesse pecado a ser perdoado, ou miséria a ser revertida. Por mais felicidade que ele concedesse, a sua bondade não seria mais estimada ou admirada...

Assim, o mal é necessário, para felicidade maior da criatura, e a perfeição da manifestação de Deus, para a qual ele fez o mundo; porque a felicidade da criatura consiste no conhecimento de Deus, e no senso de seu amor. E se o conhecimento dele é imperfeito, a alegria da criatura deve ser proporcionalmente imperfeita.

Fonte: Jonathan Edwards

sábado, 31 de julho de 2010

O maravilhoso pecado



Como um enigma pronto a ser decifrado
Como uma delicia pronta a ser devorada
Com um sabor sem igual

Chega com um cheiro suave e vibrante
Escondendo sua faceta fedida e contagiante
Chega com uma voz doce e desejável
Escondendo a perversidade nem um pouco maleável

Nunca se apresentará como o mal
Sempre será belo, atrativo e racional
Mas depois que te cativa
Torna-se aprisionador, destrutivo e infernal

Fé equivocada


Fé do grego pistia e do latim fides: Entedemos que é a firme convicção de que algo seja verdade, sem nenhuma prova de que este algo seja verdadeiro, mas pela absoluta certeza de existência que depositamos neste algo ou alguém. (Hb 11 paráfrase)
Esta convicção se relaciona de maneira unilateral com os verbos acreditar, confiar ou apostar, isto é, se alguém tem fé em algo, então acredita, confia e aposta (usado assim por Agostinho) nisso, mas se uma pessoa acredita, confia e aposta em algo, não significa, necessariamente, que tenha fé. A diferença é que ter fé é nutrir um sentimento profundo de afeição, ou amor ardente pelo que acredita e confia, depositando assim o curso de sua vida ao recebedor de sua fé.

Então é um grande equivoco pensar em fé como auto satisfação ou forma de elevação de seu ego, a fé é voltada à Deus. Ele é nosso alvo de amor e devoção, Deus é pura fé enactante (fé em ação). Todos nós somos alvo da fé de Deus, pois Ele não entra em conflito com suas verdades, Ele ama você e crê que é sal da terra e luz do mundo. (MT 5:14-16) Ele mandou seu filho para morrer em seu lugar.(Jo 3:16)
Fé equivocada é aquela que vive em constante conflito a Deus, fazendo da verdade divina uma mentira real. É aquela que se inclina a corroer os conceitos bíblicos tentando provar que as verdades da palavra de Deus não passam de fabulas antigas. É aquela que produz apatia espiritual e se distanciam da gloria do conhecimento de Deus.

Fé equivocada é aquela que vive alheia ao conhecer a verdade (Jo. 8:32) e é levada por qualquer verdade contrária a Deus e não medita na palavra em todos os momentos, (Js. 1:8) mas transforma as inverdades do mundo em suas convicções. É aquela que vislumbra a Deus somente na esfera metafísica não na enactância diária.
Fé equivocada é aquele, que valoriza o emocional e despreza o espiritual, nas tentativas de práticas mais diversas de culto ao Deus altíssimo. É aquela que em meio aos antropomorfismos (maneira humana de falar das coisas) da cristandade esquece de quem merece o louvor. É aquela que pensa em oração como mecanismo de petição somente.

A fé de Jesus o levou a cruz para resgate de todos nós, (Jo. 10:10) você já é capaz de através da fé ser um instrumento para resgate da vida de outras pessoas?

O que é teologia?




No cristianismo, isso se dá a partir da Bíblia. O teólogo suíço Karl Barth definiu a Teologia como um "falar a partir de Deus". O termo teologia foi usado pela primeira vez por Platão, no diálogo A República, para referir-se à compreensão da natureza divina de forma racional, em oposição à compreensão literária própria da poesia, tal como era conduzida pelos seus conterrâneos. Mais tarde, Aristóteles empregou o termo em numerosas ocasiões, com dois significados:

Teologia como o ramo fundamental da filosofia, também chamada filosofia primeira ou ciência dos primeiros princípios, mais tarde chamada de Metafísica por seus seguidores;
Teologia como denominação do pensamento mitológico imediadamente anterior à Filosofia, com uma conotação pejorativa, e sobretudo utilizado para referir-se aos pensadores antigos não-filósofos (como Hesíodo e Ferécides de Siro).
Agostinho tomou o conceito de teologia natural da obra Antiquitates rerum humanarum et divinarum, de M. Terêncio Varrão, como única teologia verdadeira dentre as três apresentadas por Varrão: a mítica, a política e a natural. Acima desta, situou a Teologia Sobrenatural (theologia supernaturalis), baseada nos dados da revelação e, portanto, considerada superior. A Teologia Sobrenatural, situada fora do campo de ação da Filosofia, não estava subordinada, mas sim acima da última, considerada como uma serva (ancilla theologiae) que ajudaria a primeira na compreensão de Deus.

Teodicéia, termo empregado atualmente como sinônimo de teologia natural, foi criado no século XVIII por Leibniz, como título de uma de suas obras (chamada Ensaio de Teodicéia. Sobre a bondade de Deus, a liberdade do ser humano e a origem do mal), embora Leibniz utilize tal termo para referir-se a qualquer investigação cujo fim seja explicar a existência do mal e justificar a bondade de Deus.

Na tradição cristã (de matriz agostiniana), a Teologia é organizada segundo os dados da revelação e da experiência humana. Esses dados são organizados no que se conhece como Teologia Sistemática ou Teologia Dogmática.

A teologia é fortemente influenciada pelas mais diversas religiões e, portanto, existe a teologia budista, a teologia islâmica, a teologia católica, a teologia mórmon, a teologia protestante, a teologia umbandista, a teologia hindu, e outras.

Fonte: Adoniran Melo e Wikipedia

País não faz teologia, homens fazem teologia.




Toda a base do pensamento teológico brasileiro pode ser decodificado em sua genesis. Nossa leitura teológica é importada, posso até dizer como muitas outras impressões e leituras globais também são, mas se pensarmos em teologia a brasileira, herança genética ou herança simbólica e com base de influências comportamentais cognitivas, não podem ser descartadas, pois ainda hoje ansiamos pelo dialogo e respeito mutuo entre as pessoas, como aqueles oprimidos que lutavam pelo dialogo e respeito mutuo no período colonial que desencadeou o sincretismo quilombola com base em uma mística importada e já bem latente entre os autóctones.

Continuamos não tendo uma concepção bem formada acerca de uma teologia brasileira. Vai ver que, no fundo, no fundo esta idéia é um pouco absurda, pois pense bem. Não existe este negócio de teologia alemã, teologia norte-americana. Existem teólogos alemães, teólogos norte-americanos, então a teologia brasileira são os pensadores brasileiros que as constroem e a configuram dia após dia, mas claro, como um bom brasileiro poderosamente influênciados pelos teólogos que estiveram aqui ou ainda estão aqui através de suas interpretações hermenêuticas

Fonte: Adoniran Melo

Teologia Brasileira



Todas as pessoas no mundo inteiro concordam que o Brasil é de uma diversidade cultural gigantesca, uma diversidade que permeia o país de norte a sul. Quando pensamos na relação cultura teologia sabemos que uma esta inserida na outra. Quando estive na África pude perceber claramente esta relação, no balanço dos cultos em diversas cidades que visitei e inúmeras igrejas, mas em todas um só ritmo e um só entusiasmo, pude perceber uma relação contagiante entre estas idéias, identifiquei isso também em uma colônia japonesa no Pará, duas culturas diferensissimas, mas que servem como uma boa analogia para entendermos o papel fundamental da identidade teológica de cada povo.

A grande questão é esta. Como perceber esta relação cultura teologia no Brasil se nós absorvemos muitas diferentes maneiras de ver o mundo e conseqüentemente suas culturas e maneiras de ver o mundo? Nasci e passei a maior parte de minha vida no norte do Brasil, fiz viagens de barco, canoa, pau de arara e a pé, cheguei ao sul e posso ver claramente as diferenças entre o norte e o sul do Brasil e em função desta experiência, nasce outra questão importante. A teologia que é produzida no norte é a mesma que é no sul? Já que esta relação, teologia e cultura é bem evidente na formação do teólogo de qualquer lugar do mundo, será que temos também diferenças entre o sul e o norte do Brasil?

Fonte: Adoniran Melo